Tempo de Viver

Por obediência às vontades, tracemos nosso reflexo nestas telas. Sejamos qualquer coisa, no cristal líquido, tubo catódico ou, mais raramente, no vidro holográfico. Será dado aqui, é o que se promete, o devido peso a todo rosto, apelido ou perfil exposto e conectado, o peso da opinião nos ombros, a alguns o peso do mundo. Manifestações virtuais serão sempre o que parecem: efêmeras e irreais; porém quando vier o convite às ruas, ultrapassaremos a interface, romperemos a conexão e nos encontraremos, aos esbarrões, em um só tumulto democrático. Será a revolução contra a falta do transporte público numa metrópole em que a elite não percebe que só come as sobras e crê na falta de dignidade do outro porque lhe falta honra desde sempre, onde é preciso tomar uma flor mais poderosa que o lírio que tanto dominou a Europa : o Oriente Próximo faz resplandecer e já nos presenteia com o jasmin.

São tempos de vida. Livre e laica.

Publicado em: às quinta-feira, 19 maio, 2011 em 1:58  Comentários (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Há muito dela.

  2. Brindemos com valsas de suco de laranjas.


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