…pelo Cansaço se atinge a Temperança

Acabaram de falar comigo. Tive a impressão de responder, não sei se emiti algum som, estou pensando se vibraram cá as cordas vocais ou se foram apenas sinapses sem objetivo externo. Deixou-me apreensivo o que, no entanto, foi só distração minha…

Desconfio da credulidade de meus contemporâneos e de sua necessidade de criar mitos e de se fazerem idólatras, não no sentido religioso e não porque isso os possa prejudicar (porque a alguns pode até ser bom), mas porque isso pode prejudicar meu progresso – desconfio como que por prevenção, sempre a dúvida e não a certeza.

 

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Published in: on sexta-feira, 23 janeiro, 2009 at 2:25  Comments (4)  

Confesso que Vivi

Pelas paredes tinha entrado a artilharia… As janelas partiram-se em pedacinhos… Encontrei no solo restos de chumbo entre meus livros… Mas minhas máscaras tinham ido embora… Minhas máscaras recolhidas em […]

De Pablo, sobre máscaras e a guerra.

Já eu confesso que, tendo vivido plenamente até agora, necessito um pouco mais. A vida tem seus efeitos de armadilha e, quanto mais nos envolve, no mesmo tanto faz aumentar nossa sede – às vezes de morte, que é também experiência. Toda essa fluidez e harmonioso caos ao meu redor, faz-me crer que o suicídio é a única forma de superar qualquer coisa na vida, talvez mesmo este seja determinado por ela.

 

 Fico a me perguntar como imaginava as quatro estações Antônio Vivaldi, ao transcrevê-las nesse código musical tão coerente!

 

Published in: on sábado, 17 janeiro, 2009 at 0:57  Comments (2)  

Para Além dos Balões

 

O mundo que outrora me havia mantido fora dos tantos mundos que os outros agressivamente me impuseram desde sempre, agora me possibilita adentrar todas as portas desses templos que são os instantes de outrem. Acontece que agora entro co’as minhas vontades diagnosticadas e prevenidas; entenda-se ou não.

E se a vida toda coubesse num pequeno disco que nos levasse a distâncias longas por meio de imagens curtas e de repente como que minh’alma se transportasse para dentro de um balão imaginário que, suspenso pela irracionalidade dessas coisas que inventamos, voasse não para bem longe, mas para bem perto? 

Nossa vida não cabe num disco compacto, que fique claro!

(ainda bem, cá pra nós)

Published in: on quinta-feira, 15 janeiro, 2009 at 2:09  Comments (3)  

Liberdades tantas que são nulas

Tantas maneiras de vislumbrar a liberdade, de inventá-la e provocá-la a existir onde a não há – sem saber se nunca houve ou se nunca haverá! Vejo tais e tais teorias que explicam e justificam origens para as várias maneiras de ser livre aqui sem estar preso ali, porém todas mantêm suas ressalvas, que nada são senão os setores que derrubam os conceitos por terra, dando vaga às refutações.

Quantos e quem tenho que obedecer?

Ficam as liberdades poéticas, que não se importam de se saberem presas. Das tantas prisões que fazemos ou não questão, a única na qual prossigo acreditando é a prisão de ventre, porque dói no corpo e incomoda a dita alma, que se reconhece humano.

 

 Estou poeticamente escatológico*.

 

*conheci recentemente quem estudou teoria e prática (!) num curso de escatologia duma universidade estadual.

Published in: on sábado, 10 janeiro, 2009 at 23:22  Comments (2)  

Frágeis posições

Sr. Thiers, no seio Comissão sobre a Instrução Primária de l849, dizia: “Quero tornar a influência do clero todo-poderosa, porque conto com ele para propagar esta boa filosofia que ensina ao homem que ele veio ao mundo para sofrer e não aquela outra filosofia que, pelo contrário, diz ao homem: goza.”

…sobre o que há de temível nas idéias.

Dois-mil-e-oito do calendário abstrato foi um ano derrotado. E já dois-mil-e-nove caminha para outras perdas – ou baixas, como se diz no front. Lá vão os E.U.A. financiar outras destruições.

Hipocrisia a minha, que não escrevo pensando nas derrotas do mundo sobre si mesmo…

 

Published in: on terça-feira, 6 janeiro, 2009 at 4:36  Deixe um comentário  

…simplesmente o ente…

 

É preciso estar atento e forte.

 

Há que se tomar partido, estar convicto, combater, perder o juízo. Porque  tomar uma posição, mesmo que seja apenas para observar, é o que valida nossa experiência para nós mesmos. Não há sentido, há escolhas reconhecidas como possíveis e outras como impossíveis – ainda restam as irreconhecidas, que nos surgem a partir dos outros e das coisas, do movimento aleatório do que compõe este mundo.

Neste momento, tomo como partido a intolerância, esta como atitude perante os fundamentalismos nas mais diversas áreas onde os imbecis conseguem os instaurar, e considero a morte como última coisa a se desejar. Eis meus extremos, queiram deduzir quem são meus inimigos.

 

Published in: on sexta-feira, 2 janeiro, 2009 at 5:19  Comments (1)