Fostes breve, João!

Por que tão pouco? Por que não foi ao médico ontem? Teimosia de não se cuidar! Queria virar defunto mesmo – bem que falou sua esposa! Mas precisava ter sido tão bobo? Como vamos explicar pra ela, essa senhorinha cadeirantemente católica, que “venceu” o sustento de casa com uma paraplegia precoce (aos vinte!), um “namoro” que já ia para os 50 e tantos e um câncer nas mamas veroz, que não se vence a morte?

É complicado saber que minha tia ainda deve estar deitada ao lado dele, falando não-sei-quanto-ou-o-quê. Por que será que ela quis pôr a conversa em dia logo agora? O que tanto tinha ela pra falar que ficou para última hora?

Eles bem tinham razão em ter comemorado as bodas de ouro do namoro!

 

Não me choca a morte, nem mesmo me dói, o problema é o que fazer com os que ficaram às voltas com ela.

Lembras de que vais morrer e vive.

Published in: on quarta-feira, 24 junho, 2009 at 1:32  Comments (2)  

Prefiro o vinho à verdade

 

Eu nunca reconheceria a verdade, mesmo qu’eu acreditasse que a conseguiram inventar ontem.

Por conta de objetos não identificados, acabei não conseguindo completar minhas frases co’a devida coerência. Ainda outro dia, encontrei-me acordando co’s pensamentos mais esdruxulamente mal construídos que já tive.  Acabei por reclamar comigo mesmo em voz alta. Só que não consegui ouvir, porque havia a britadeira – ah, sim, a britadeira. Lembro de ter ouvido, há alguns anos, numa aula da faculdade, que essas máquinas são tão fortes em seus trancos contra o asfalto que chegam a causar morte por infarto em seus operadores. Nunca desejei tanto a morte de alguém (mentira, já pensei com muito mais vontade nisso, acerca de muitas outras pessoas). Meu sono e meus pensamentos são mais importantes que três dias de conserto em horário impróprio (a partir da meia-noite, sempre)!

 

Published in: on terça-feira, 23 junho, 2009 at 3:13  Deixe um comentário  

…mais um burocrata antropofágico

Esses demônios, dragões que guardam as velhas morais, preferem nos matar de desgosto e ruidosamente. Mutilam-nos os ouvidos, acreditam em discursos repetidos e repetem-nos como novidades. Lobotomizam-nos, ou o tentam, a fim de pôr seus ovos em nossas mentes, para que se reproduzam idiotamente.

Por que quer alguém fazer-me acreditar qu’eu deveria temer pelo meu emprego?

 

Published in: on quinta-feira, 11 junho, 2009 at 3:05  Comments (3)  

Venho até remoçando

 

Eis como estou:

Espectador, expectante, implícito. Sem tempo ou fora do tempo-dos-outros. Prefiro manter a discrição das coisas – sigo ouvindo as notícias e calando notas qu’eu poderia escrever. Variedades de flores me chamam e não posso deixar passar as cores que me atravessam  retina e córnea sem minha permissão. É a ousada vida que vem.

Published in: on segunda-feira, 8 junho, 2009 at 4:21  Comments (2)  

Orem para a mesa

…vejam se ela lhes responde. Amém?

Começo a desconfiar que inteligência atrapalha. Sempre fico pensando sobre o qu’eu faria se realmente fosse inteligente e largasse meu emprego, minha família, minha carreira em filosofia e resolvesse minha vida. Deve mesmo dar trabalho, isso de ser inteligente.

 

Não sei o que fazer quando as pessoas sentem qu’eu as desafio – e as que se sentem desafiadas só o sofrem porque não sabem o qu’eu quis dizer e/ou simplesmente não conseguem acompanhar o raciocínio. Noutras palavras, preciso de um método burro.

Pensando seriamente sobre as coisas, decidi qu’era hora de ir dormir.

Published in: on sexta-feira, 5 junho, 2009 at 4:10  Comments (2)