Inviolabilidade

Deveria ser inviolável o direito de ser remunerado de acordo com o mérito. Mas não é o valor qu’está em questão (para eles não é). Inviolabilidade é algo Economicamente Inviável. Todos somos vulneráveis e assim precisamos continuar.

Acordei sem vontade e cansado. Dormi pesado e sonhei violentamente. Agressivamente fechei os olhos, não como quem se alivia do dia de trabalho, mas como quem se prepara para o corte da faca cega a sangue frio, cerrei as pálpebras com a força de quem sabe que vem mais chumbo de onde já aguentou bastante.

Cegamente tateio caminhos possíveis – mas como fará o cego, que não podendo usar luvas, é obrigado a tocar na lâmina para descobrir do que se trata?

Published in: on sexta-feira, 31 julho, 2009 at 4:36  Comments (2)  

Difícil

 

Palavra ociosa, vagabunda e tardia – adianta classificar algo como complicado enquanto estamos a tentar fazê-lo? E nossas potencialidades, o que são? Ser possível ou impossível, não significa nada. Dificuldade é bobagem.

Obstáculo para o descanso.

Só para efeito de registro, dia 17 de Julho, sexta-feira última, cansou-me. Eu queria apenas algumas horas de um descanso mais-que merecido. Entretanto, pratiquei camaradagem e cidadania acima do necessário. A mim não beneficiaram, exceto pelo desejo que o mesmo fizesse por mim.

Fato I – Um estranho atropelou um homem embriagado que voou para perto donde estava estacionado meu carro, 15 metros adiante – não que isso importe. O estranho não bebeu, o estranho não fez nada errado, sua carteira de habilitação não era a permanente. Era jovem, vestibulando e matou alguém, sem intenção. Acabei como testemunha oficial e até tentei acalmar o rapaz. O morto era um mestre-de-obras encrenqueiro.

Fato 2: Este mais decadente. O que há para se dizer de alguém completamente drogado? Por que me senti pronto a resolver isso? Só consegui descansar após ter encerrado o mal-estar deste que não quero nem registrar por nome. Dirigi vinte quilômetros ou mais somente para garantir que um ser humano estivesse em segurança – ainda que o perigo fosse ele próprio. Não foi a primeira vez que fiquei a resolver algo assim.

A noite de sexta acabaria às duas da manhã ou antes.

Dormi somente às seis da manhã.

Published in: on sexta-feira, 24 julho, 2009 at 4:59  Comments (3)  

“Palavras são meu jeito mais secreto de calar”

 

Enrolado em silêncio

Ando pensando através de espelhos da realidade, através dos olhos dos outros. Que adianta ler todos, se ao menos uma vez todo autor que li ou leio diz que nenhuma resposta serve às questões mais fundamentais – que todo humano, letrado ou não, sabe quais são – ?

Se não há respostas nos livros, tudo isso é para nos distrair desses pensamentos imensos que nos tomam em desaviso e desagradam com sua lógica maior que nossas inferências?

Acho que só precisamos ocupar o tempo que temos. Como não parecer, ao dizer isso, que não importa como o faremos ou quanto tempo temos para ocupar?

 

Published in: on segunda-feira, 6 julho, 2009 at 5:43  Comments (3)  

O que havia co’ mundo ali?

[…]

Vontade de encostar em lugar qualquer

E nunca saber bem o que se quer

[…]

Trecho roubado de Lugar Nenhum, Flávia Sgavioli;

Um canto esquecido ou tragado pela decadência, uma vila destituída de uma história interessante e, consequentemente, de uma arquitetura memorável, forte ou que ao menos interessasse como paisagem a uma foto de um andarilho. Uma área central não havia, onde quer que se estivesse, parecia periférico, complemento de algo – mas a inexistência de uma substância ou razão que fornecesse sentido àquilo tornava a emergir. Sem dúvida a única coisa que chamava atenção aos transeuntes que por ali se perdiam ou se obrigavam a ir era a quantidade de poeira acumulada nos vidros das janelas. Assim me apareceu São Paulo, em um de seus locais mais recentes e mais mal cuidados.

– Quem dera fosse passado o que vi outro dia; confesso que fingi acima que isso já passou que e pretendo não voltar futuramente, mas não é assim que se cura uma cidade.

 

Published in: on quinta-feira, 2 julho, 2009 at 4:28  Comments (2)