“Muito Prazer, meu nome é Otário”

É preciso estar entorpecido com fanatismos, praticar a repressão sexual, consumir substâncias tóxicas que causem dependência química e deficiência psíquica – eu não faria de tudo para ser aceito na família, definitivamente não me moveria sequer um centímetro a esse tipo de decadência.

Convivo desde cedo com gente que estende a mão para quem tem problemas, não quer ajuda e ainda faz o possível para ferrar os outros;  mas para quem honestamente pede – nem que seja em retribuição de atitudes passadas – um simples favor, nada além de ofensas [nunca vem um simples não].

 

Published in: on domingo, 27 setembro, 2009 at 23:56  Comments (4)  

Expectativa de Vida

Afegãos não podem pretender chegar aos 41.

É estatística e não um fato. Mas não será a eles um fardo que  divulguem isso assim, como se fosse o que esperam que lhes aconteça?

Espera-se, mesmo, que a véspera não seja coisa alguma, senão coisa-antes de um futuro incerto. Então o antes é nada. É só a antessala para o depois e, caso não haja algo depois, fizemos o cavalheirismo de aguardar que nada viesse. Diria num lugar-comum que o que importa, portanto, é o agora. Mas desconheço essas formas do tempo, sejam três ou mais (porque ainda caberia enfiar a efemeridade). O qu’estou a dizer é que salva vidas não ficar numa véspera, a ansiedade corrói e não desejo esperar coisa alguma.

P.S.: Eu praticamente não ganho muita coisa por ganhar a aposta do IBGE e viver mais que 72 anos. Porque viveria apenas 7, caso eu não fique desempregado até lá, com um salário de fome. Eis porque nos mentem numericamente, não é agradável argumentar com números – e tenho sempre os bur(r)ocratas, quando pergunto em caracteres, respondendo-me em algarismos.

Published in: on segunda-feira, 21 setembro, 2009 at 4:16  Comments (4)  

Sobre Porcos e Astrônomos

É preciso viver como um porco, sem poder voltar os olhos para o céu e confinado entre cercas, para entender como se faz para voltar a ser humano. Porém, como todo retorno, exige um desvio do cansaço da viagem, normalmente causado pelas distrações que a estrada vem oferecer.

Eu não investigo ou argumento para provar qu’estou certo ou errado. Faço-o pelo prazer de encontrar respostas novas – que por vezes descubro frágeis ou totalmente erradas. Não quero ter razão ou certeza, quero descobrir quem não a tem. É vontade arrogante embaraçar e conduzir ao constrangimento de estar errado – é uma grande vontade, pois a tenho mesmo que contra mim.

 

Published in: on sexta-feira, 18 setembro, 2009 at 4:31  Deixe um comentário  

Miseráveis que somos

Semeamos monstruosidades e inventamos a cada dia novas maneiras de desgraçar nosso progresso; nossas quimeras, ainda que inocentes, tornam-se escândalos que os anjos mais malditos não poderiam suportar.

Lateja minha cabeça e ardem meus olhos. O que se pode exigir de um corpo em crise? Descanso é plausível, mas não permitido. O repouso necessário só é concedido aos que já estão doentes, a ponto de se receber ordem médica para tal; ou seja, é preciso que o prejuízo previsto já tenha sido causado.

Eis-me prejudicado.

Published in: on sábado, 12 setembro, 2009 at 3:26  Comments (1)