Libertários

É preciso deflagar a bandeira, mesmo que ela seja apenas um verso curto num papel gasto. Se há uma palavra de ordem, é preciso haver a de resistência.

Indivíduos. Somos pós-modernos. Herdamos  da história recente o epíteto de indivíduos.  Recusamos a massa. O coletivo é antiquado. Mas não somos egoístas. A internet é um fenômeno digno de nossa época, o avaliem como quiserem: bom, ruim ou uma peça neutra sujeita às ideologias. Um monte de indivíduos conectados. As partes, creio, soam maiores que o todo. Pequenos poderes: milhões de páginas de opinião diárias, informação compartilhada, gratuita até, corrigida segundo a segundo.  A época é de dialética pura. A dominação se faz por medida provisória. A resistência, que vinha por meio de habeas-corpus quando o que atacavam era  o  corpo,  agora precisa de peso na opinião pública – desta vez mundial. A censura que impede veiculações impressas ou televisivas já não sabe como concentrar poder quando há uma rede mundial.  Blogueira em Cuba ou documentaristas na Birmânia, não importa. Se houver quem saiba do outro lado da tela, o constrangimento diante do mundo pára até as populações de potências nucleares. Porém é necessário que façamos pesar nossos corpos individuais. Já ocorrem crimes virtuais desde o início. Não precisamos de revoluções como as que nos fizeram girar lentamente 360°. Não  basta escolher direita ou esquerda e marchar da mesma maneira com as duas pernas.  Resistência não é só uma palavra.

Eu aceitaria mesmo gritar até Ordem e Progresso como um positivista, se nisso houvesse algum valor prático para nossos dias.

 

Published in: on sexta-feira, 7 maio, 2010 at 21:50  Comments (1)