Ecos de Ugarit

Este maestro sírio, Malek Jandali, retirou de uma tábua mesopotâmica de três mil e quinhentos anos esta música. Assistindo sua entrevista, descobri que seu povo inventou a notação musical, fundou o primeiro conservatório de música da Europa [em Córdoba, Espanha].

Parece-me um homem corajoso, desacreditado, tanto quanto eu, das divisões ocidente-oriente e suas fronteiras hostis.

Ah, segundo a wikipedia, ele é primo em primeiro grau do pai biológico de Steve Jobs.

Published in: on terça-feira, 30 abril, 2013 at 4:56  Comments (3)  
Tags: , , ,

Este Verde e Amarelo tão Pamonha

O milho cozido com tantos dentes nos sorri

Uma risada tão amarela

Que sequer nos pesa findá-lo a dentadas.

Se lhe jogamos cru ao fogo,

Basta uma gota d’água dentro de seus grãos

E logo explode seus microgramas de força

Abrindo-se ao nosso vazio,

Revelando-se leve, branco e furioso

Entre nossos dentes restará sua vingança dourada.

Published in: Sem categoria on segunda-feira, 29 abril, 2013 at 3:20  Deixe um comentário  

Mais uma que chega

Recebi a notícia de um nascimento.

Entre tantas bactérias, vírus, amebas, mais um animal, um mamífero-que-ri. Nós somos diferentes dos outros por isso, não? Nós temos o riso, sabemos da morte e, mesmo assim, estúpidos. Os outros têm motivos melhores para comportamentos instintivamente imbecis.

Eu tenho esperança. Tenho fé. Há alguns anos não teria confessado tão facilmente. Fico impressionado com a quantidade de pensamentos que um novo alguém pode ter. O aleatório é belo, inigualável.

Não me preocupo.

Noutros tempos pensaria que uma nova vida significaria perpetuar nossa miséria. Estamos descobrindo o que não suportamos neste planeta. Poluição, pobreza, desprezo nos deixam tristes – nossas equações igualam tudo à felicidade, desde que a filosofia chegou a este mundo. Tomo gosto por acreditar nos cientistas que descobrem devagar, mas tão definitivamente o que pode ser melhorado, subtraído, ajeitado. Sequer estou pensando naquele manual básico de pequenas atitudes para melhorarmos o cotidiano. Penso hoje no geral, na humanidade. Somos uma praga, um parasita da natureza, somos imperfeitos. Mas podemos ser geniais.

Published in: on sexta-feira, 26 abril, 2013 at 4:37  Comments (1)  

Um Jardim Esquecido.

São tantas mídias, tantos papéis, notas de rodapé, que

Tenho quase esquecido o papel de carta, o personagem despretencioso que é o guardanapo. Uma caneta nova, uma música descoberta que chega por acaso e embala ideias. Tenho um jardim que deixei de visitar. Epicuro não me culparia, ele veio antes da culpa e do pecado baterem à nossa porta; mas tanto ele quanto eu poderíamos lamentar. Epicuro tinha seu jardim, não sei se ele pode ter algo a ver com isso – eu é que acho que tenho que o rever. Eu só tenho telas ou janelas. Será sempre melhor fechar os olhos.

Ouço um tango tocado com violão. Escrevo um poema, uma receita e uma carta enquanto escrevo cá.

Descobri que sei fazer cimento porque já sabia cozinhar. Eu sei escrever porque antes aprendi a desenhar. Eu viajo perseguindo fantasmas de escritores, porque já sabia valsar no silêncio. Tenho ouvido falar demais; de mais preços e mais crimes, índices que nos matam de fome, entre castigos a nos matarem de sede. Tenho lamentado a pouca prosa. O sinal sem fio é maldoso com as saudades de longa distância, longa data. Eu quero meus laços bem atados, como nós, como nós sempre fomos. Quero o passado reativo, mas não.

Há coisas incontroláveis tão obviamente espalhadas, seria uma pena misturá-las na tentativa de impor uma crença de que poderiam estar pacificamente encaixadas e que vale uma vida fingir ser tão racional…

Published in: on quinta-feira, 11 abril, 2013 at 5:53  Comments (2)