O fim da história líquida

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Santiago, 2011. Praças em fogo, ruas pichadas e até os mais idosos apoiavam a luta por educação pública até o nível superior.

A revolução é confusa, difícil de se explicar e quando se estabelece deixa seu estado gasoso em busca de algo mais sólido. Daí a mente tacanha olha, confusa, as opiniões que lhe cabem tentando fazer adivinhações por meio dos preconceitos mais fugazes. Não está embaixo da minha janela, nem nos jornais daqui ou de outro lugar, não está nas telas, nas páginas amarelas. Espero que floresça no anonimato apartidário, na identidade coletiva.

Fico a pensar que espectadores ou são desleais, ou são desonestos.

Não admito este silêncio entre paredes. Tenho poucos dias para decidir o que posso ser nisto.

Este dia treze de Junho doeu assistir.

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Published in: on sexta-feira, 14 junho, 2013 at 4:16  Comments (2)  

Sem eiras, beirais ou laranjeiras.

…pode sim pode sempre como toda coisa nossa

que a gente apenas deixa poder que possa

[Leminski de 1987]

 

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Meus vizinhos passam a desexistir mais e mais. Vão vendendo lares como se fossem casas. São estatísticas, especulações, devem ser feitos de expectativas temerosas. São metros quadrados de silêncio. Pouco em pouco e todo muro em que sentei vira limite. Cada casa que explorei deixa de ser vizinhança para se tornar território. O carteiro Emerson está submetido às malas-diretas dos escritórios e nada mais. Talvez nos salvemos disso tudo vez em quando, numa carta que sabe de onde veio…

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Deixar que a vida seja tudo como se viver nos desse esse tipo de opção.

*foto da Vila Maria Zélia, lugar fantástico escondido num município besta.

Published in: Sem categoria on terça-feira, 11 junho, 2013 at 4:18  Comments (1)  

Bureaucracy

Sobre não entender  duas línguas e três razões contra um visto.

Burocracia é um regime que tem o poder de reverter o sentido da palavra suficiente contra nós. Linhas invisíveis, recusas arbitrárias, papéis “importantes”. Estranhamente, um refugiado de guerra escapa a quaisquer questionários e recebe um visto de residência. Mais uma vez a frequente sensação de estar sempre na situação intermediária – nem refugiado, nem abastado. Devo ser da classe média, não daquela que viaja mais para o exterior que para o próprio país ou aquela que reclama dos avanços sociais, mas d’alguma classe entre isto ou aquilo.

O oficial “não ficou convencido” de que preencho os requisitos. A recusa sempre soa como uma acusação.

Resta-me não estar convencido por isso.

Published in: on quinta-feira, 6 junho, 2013 at 2:41  Deixe um comentário