Entre o Esplêndido e o Miserável

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“[…] todo conhecimento verdadeiro é impossível. Só se pode enumerar as aparências e apresentar o ambiente”, diz-me o homem morto, por meio de seu livro. Vejamos, colocando em perspectiva, a quem interessa todo o conhecimento, se é que há algum, se tudo que aprendemos, dessa maneira tão mal formulada pela humanidade, irá se dissipar?

É estúpido perguntar “se fosses morrer amanhã, o que faria?” quando, morrendo, matamos o significado do que fizemos – é como a obra de arte contemplada no museu que representa uma certa ideia do artista e da qual jamais chegaremos às razões de criação (e mesmo que o autor esteja lá para explicar, vivo e eloquente, criaremos nossa própria representação). À nossa maneira, passamos a vida buscando convencer a todos, inclusive nós mesmos, da encenação que se vai improvisando. Então escrevemos para cristalizar um ato ou outro.

Mentiras (verbo sem gênero, hora ou local/adj. para os outros/vf. verdade para melhor compreensão destas):  pequenos roteiros que criamos quando estamos cansados.

Eutanásia (indefinível?): homicídio doloso/qualificado por motivo fútil ou desinteressante; assassinato em que ambas as partes concordam.

Essas palavras me ocorrem no branco entre uma letra e outra. Voltarei a ler ou a sonambular.

Published in: Sem categoria on segunda-feira, 23 setembro, 2013 at 5:18  Comments (2)  
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Qu’estamos a contar?

 

“Cada homem crê poder dizer o que pensa, mas na realidade acontece o inverso: ele só pode pensar o que pode dizer e porque determinada língua, independente dele, lho permite dizer. Inversão completa do cartesianismo: não é porque ‘eu penso’ que posso dizê-lo, é porque posso dizer ‘eu’ que posso dizer, até crer, que sou uma substância pensante”

Benveniste, Émile. De la subjectivité dans le langage.

 

Quando um livro que não pretendia me fazer ‘sentir’ atinge-me até ficar estático ante tudo que posso pesquisar para entender, entre tantas outras coisas, os benefícios do suicídio como ato livre. Estranhamente, não penso em suicídio como solução para mim, embora não seja meramente um objeto de estudo a possibilidade ainda parece distante.

Tantas interrogações a colocar por aí, como poderia aparecer com um ponto final?

Published in: on quarta-feira, 11 setembro, 2013 at 1:44  Comments (2)