Entre o Esplêndido e o Miserável

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“[…] todo conhecimento verdadeiro é impossível. Só se pode enumerar as aparências e apresentar o ambiente”, diz-me o homem morto, por meio de seu livro. Vejamos, colocando em perspectiva, a quem interessa todo o conhecimento, se é que há algum, se tudo que aprendemos, dessa maneira tão mal formulada pela humanidade, irá se dissipar?

É estúpido perguntar “se fosses morrer amanhã, o que faria?” quando, morrendo, matamos o significado do que fizemos – é como a obra de arte contemplada no museu que representa uma certa ideia do artista e da qual jamais chegaremos às razões de criação (e mesmo que o autor esteja lá para explicar, vivo e eloquente, criaremos nossa própria representação). À nossa maneira, passamos a vida buscando convencer a todos, inclusive nós mesmos, da encenação que se vai improvisando. Então escrevemos para cristalizar um ato ou outro.

Mentiras (verbo sem gênero, hora ou local/adj. para os outros/vf. verdade para melhor compreensão destas):  pequenos roteiros que criamos quando estamos cansados.

Eutanásia (indefinível?): homicídio doloso/qualificado por motivo fútil ou desinteressante; assassinato em que ambas as partes concordam.

Essas palavras me ocorrem no branco entre uma letra e outra. Voltarei a ler ou a sonambular.

Published in: Sem categoria on segunda-feira, 23 setembro, 2013 at 5:18  Comments (2)  
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